04/03/2017 às 18h49min - Atualizada em 04/03/2017 às 18h49min

A Jovem Guarda transformou comportamentos da época e a juventude, ávida por discos e revistas, queria muito mais.

Foi a primeira grande revolução cultural e musical do Brasil.

(Imagem: Internet)

Por ADEMIR BENEDICTO, especial para o NR.

A música brasileira para jovens - o Novo Gênero, ganhou o nome de Jovem Guarda.

No início dos anos 60 a juventude brasileira começava a ser influenciada por um novo gênero musical que surgia. A novidade tinha suas raízes fincadas no rock. Os jovens brasileiros podiam agora cantar junto com os seus ídolos, até porque, eles faziam versões dos sucessos internacionais da época ou compunham suas letras em português.

O primeiro impacto em termos de sucesso de vendas surgiu com a música “El Relicario”, gravada e lançada em 78 rotações (os bolachões) pelos The Clevers, depois o “conjunto” mudou seu nome para Os Incríveis. A faixa “El Relicario” fez um enorme sucesso. A versão era um twist e também por isso vendeu tanto. O “brotos” queriam mais e tiveram. No meio do ano de 61 saiu um compacto simples com a música “Biquini de Bolinhas Amarelinhas tão Pequenininhas” de Ronnie Cord, outro grande sucesso.

 

Os antigos ídolos estavam se “despedindo”, artistas como Celly Campello e Carlos Gonzaga, já não faziam mais tanto sucesso. Toda a década de 60 foi um delírio, os jovens do mundo resolveram cantar, tocar e se divertir, alguns faziam isso muito bem, viraram artistas, portanto, muitas músicas foram gravadas por centenas destas novas “promessas”. O Brasil, que acompanhava todo esse turbilhão, teve no ano de 1963 um novo “boom” com o lançamento do compacto simples “Rua Augusta” com Ronnie Cord. Mais um grande sucesso de execução nas rádios e vendas.


O fenômeno Roverto Carlos.

O cantor e compositor Roberto Carlos, que já havia lançado seu primeiro long play  - “Louco por Você”, viu a sua popularidade crescer muito mais, graças ao seu disco anual, daquele ano de 63. A carreira de Roberto continuou sendo impulsionada pelo lançamento do segundo disco, o incendiário “Splish Splash”, lançamento que trazia entre sucessos, “Parei na Contramão” e “Quero Me Casar Contigo”.

É, mas o melhor ainda estava por vir. O ano de 1964 foi um período de grandes acontecimentos musicais: o fenômeno Roberto Carlos já estava consolidado e graças ao lançamento do próximo disco, “É proibido Fumar”, sua popularidade explodiu definitivamente. Além da faixa título, o disco trazia também as irresistíveis “Calhambeque” e “Jura-me”, e mais a vibrante: “Minha História de Amor”.

 

A juventude que "devorava" discos, revistas, queria muito mais. A Jovem Guarda originou moda, gírias, era possível aprender a tocar qualquer um daqueles instrumentos, quase toda casa tinha um violão ou uma guitarra - ou alguém que os tocasse tal a simplicidade dos acordes. O comportamento alegre, a descontração e a indumentária, vieram a reboque.


Nesta época os canais de TV foram proibidos de transmitir jogos de futebol ao vivo, as partidas televisionadas aconteciam aos domingos à tarde. Era preciso criar algo urgente, um conteúdo capaz de cobrir este vazio. Algumas pessoas ligadas ao ramo publicitário criaram o que o mercado já pedia um programa de TV especial para a juventude: nascia então Jovem Guarda que teria o comando de Roberto Carlos, o maior representante do gênero. A produção ainda trouxe como apresentadores, a cantora Wanderléa e o cantor e compositor Erasmo Carlos, cujos nomes já estavam bem estabelecidos dentro do “iê iê iê”, apelido carinhoso da Jovem Guarda. A estreia do programa se deu na metade do ano de 1965, transmitido ao vivo pela TV Record de São Paulo, em todas as saudosas tardes de domingo durante os três anos que se seguiram.

O Teatro Record, que ficava na Rua da Consolação no bairro de Cerqueira César, era o palco que recebia todos os jovens talentos da época. No final de 1968, Roberto Carlos deixou o programa de auditório. Sem seu principal ídolo, a TV Record retirou o programa do ar. O movimento como um todo perdeu força, até que desapareceu completamente no final da década de 1960.

 

     
 ( Antônio Marcos, Roberto Marcos, Ronnie Von, Wanderléa, ErasmoCarlos e Roberto Carlos. Fotos: Internet)

 
22 artistas da Jovem Guarda e seus Maiores Sucessos

Wanderléa - Pare o Casamento
Erasmo Carlos - Gatinha Manhosa
Meu Bem - Ronnie Von
O Bom - Eduardo Araújo
Minha Primeira Desilusão - Sylvinha Araújo
O Bom Rapaz - Wanderley Cardoso
Jerry Adriani - Doce Doce Amor
Martinha - Barra Limpa
Vanusa - Pra Nunca Mais Chorar
Leno e Lílian - Pobre Menina
Trio Esperança - Filme Triste
Deny e Dino - Coruja
Paulo Sérgio - Última Canção
Sérgio Reis - Coração de Papel
Antônio Marcos - Oração de Um Jovem Triste
Ronnie Cord - Rua Augusta
Jorge Bem - Si Manda
Bobby de Carlo - Tijolinho
Golden Boys - Alguém na Multidão
Renato e Seus Blue Caps - Feche os Olhos
Os Incríveis - Era um Garoto que Como Eu...
Os Vips - A Volta

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